5.3.17

Where to now?

E aqui estou eu. A apenas uns dias dos 36 anos. Com um bom trabalho, o meu primeiro espaço, com capacidade financeira para viajar. Tudo o que eu passei a minha vida toda a lutar para conseguir. E consegui! E agora? Qual é a direcção a seguir depois de terminar a luta?

Quando justamente deveria estar a sentir a felicidade da conquista, porque é que sinto antes o desnorte, a rotina enfadonha, e a solidão? Como é que ensino a minha mente a apreciar o agora, sem trabalhar a mil à hora para encontrar outro objectivo tão significativo como este tem sido ao longo da minha vida?

É nestes momentos que penso nestas questões filosóficas como preocupações de quem não tem mais nada para fazer, questões que antes considerava fúteis e vazias de verdadeiro significado, que de repente invadem o pensamento e me impedem de aproveitar os ganhos conseguidos.
Where do i go from here?

Um dia, uma amiga fez-me questionar sobre a minha bucket list, o que é que eu gostaria de ver, fazer, experienciar, viver... Ela tinha uma série de objectivos e sonhos, inspirados pelo seu desejo de viver muito, tudo ou quase tudo. Eu...nem por isso, a minha lista limitava-se a questões mais práticas e muito pouco aventureiras: ter o meu trabalho, a minha casa, que os meus pais tivessem orgulho de mim, viajar...para qualquer sitio, para todos os sitios... ser mãe e ser encontrada.

Estes dois últimos objectivos ainda não aconteceram, e há apenas um que eu poderei, até certo ponto, controlar. O resto não depende de mim. É esta aceitação do incontrolável, do mundo à minha volta e da minha presença nele, que reside a minha dificuldade. A solidão não ajuda. E não falo de uma solidão isolada ou existente por falta de vida social ou de actividades. Falo de uma solidão apenas presente, que nos acompanha até mesmo no meio de uma multidão. Por vezes penso que faz parte de mim, que se instalou em mim, para não mais sair.

Sem comentários: