1.3.15

respira

Ontem voltei a passear numa cidade. Desta vez não pelas colinas de Lisboa, ou o meu passeio mais frequente, em que descia a Avenida da Liberdade ou a rua de S. José até às Portas de Sto Antão, em direcção ao Chiado ou Príncipe Real para acabar na maioria das vezes no Cais das Colunas. Sempre o Tejo.
Ontem voltei a passear numa cidade, mas não foi Lisboa, foi Malmö. A cidade onde me encontro agora e onde, como todas as outras por onde passei antes, vou aprender a gostar e a apreciar as imagens que ela me pode oferecer. Afinal de contas, os momentos também são imagens e é deles e delas que vive o homem…e a mulher.
Comecei o meu passeio na Biblioteca Municipal de Malmö pelo Parque do Castelo em direcção aos museus que existem no Castelo de Malmö, passei pelo Parque do Rei e depois da praça Gustaf Adolph acabei por me sentar na que eu considero ser a melhor pastelaria de Malmö, a Hollandia.
Muitos dos meus passeios foram feitos sozinha ao meu ritmo, o que significa muitas paragens para fotografias. Este não foi diferente, mas por algum motivo que ainda não consegui definir, senti-o diferente.  Seja porque foi o interlúdio de um inverno escuro em mais do que um sentido, seja porque foi a minha aceitação da cidade, embora já esteja a viver cá à quase um ano. Não sei, mas também não interessa. Interessa apenas a paz que senti enquanto andava e olhava à minha volta e respirava fundo. Lembro-me que também foi assim com Faro e Lisboa. Foi quando me comecei a perder nestas cidades que as comecei a ver. Os pormenores de cada rua, os detalhes de um edifício, a intermitência da luz do sol pelas folhas das árvores de um jardim. Todas as cidades têm a sua beleza. Resta saber onde a procurar, abrir os olhos e ver. Mesmo que seja através de uma lente de telemóvel.

Sem comentários: