3.3.15

rotinas

Passamos a maioria dos dias numa rotina de casa-trabalho – trabalho-casa à espera que regressem os dias de sol. Pelo meio, temos os fins-de-semana, com festas em casa de desconhecidos, conversas sobre o tudo e o nada, imagens que se apanham na evolução do dia. Cruzamo-nos com pessoas todos os dias, mas do conjunto apenas nos interessam realmente, talvez uma mão cheia delas. Encontramos pessoas com quem acabamos por ter diferentes tipos de relações. Amizades em que confiamos o tudo, amizades que nos fazem rir mas não estão interessadas em nos ouvir, amores reais ou apenas um gostar físico, até mesmo o toque do outro para fugir da solidão. Tentamos alcançar um equilíbrio, uma calma, sem cair numa rotina apática em que perdemos a capacidade de apreciar o inesperado, de seguir os impulsos, de impor limites à espontaneidade. E é nesse limbo que nos esquecemos de viver. Mas quando algo nos desperta, tudo parece ter um significado mais elevado, mesmo que seja apenas aos nossos olhos. Sabe bem fechar os olhos e dormir, mas às vezes também é bom acordar.

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