16.2.15

Sexo

Como é que uma palavra de 4 letras apenas é capaz de gerar as mais variadas reacções nas pessoas. De risos de adolescentes numa sala de educação sexual, ao embaraço de uma mulher num grupo de homens ou de um homem num grupo de mulheres durante um café, ao constrangimento de pais quando a criança pergunta o que é o sexo durante um jantar de família. As pessoas raramente falam sobre sexo com naturalidade, como se estivessem a falar de uma série ou um problema no trabalho. E falar sobre masturbação ou sexo oral ainda parece ser algo que para muitos, particularmente mulheres as vulgariza. Como se uma mulher que se sente confiante sobre a sua sexualidade fosse por isso mesmo menos digna do respeito dos outros, mulheres e homens. A ideia de que as mulheres apenas sonham com o fazer amor, com o prazer emocional é limitativa à verdade de que as mulheres também desejam o prazer físico. Por vezes apenas naquele momento, sem sentimentos ou confusões emocionais, e é claro que isso não significa que sejam menos dignas. Mas se as mulheres falassem abertamente sobre o prazer que querem sentir, as fantasias que gostariam de viver, as criticas seriam rápidas e fatais. E por isso se vão mantendo em segredo e limitadas a uma vivência em pleno, até mesmo em relação ao simples acto de masturbação, quando o mesmo acto é considerado perfeitamente normal nos homens. 
Por vezes tenho alguma dificuldade em perceber este tipo de raciocínio, ou talvez seja algo subconsciente nas pessoas que ainda procedem de acordo com estigmas e tabus antigos e definidos por mentalidades condicionadas por religiões e crenças baseadas em ideias desenvolvidas numa era que nada tem a ver com a realidade actual. Ainda temos de lutar pelo liberdade de opinião e talvez por isso mesmo o direito à liberdade sexual ainda vá demorar mais a conseguir. 

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