15.2.15

Fifty shades of grey

No dia 12 de Fevereiro estreou um filme baseado num livro. O filme, à semelhança dos livros, tem sido assunto para muita reportagem e conversa. Conversas que na sua maioria questionam o sucesso tão significativo que um conjunto de 3 livros sobre sexo pode ter e como esse sucesso deu origem a um filme, que os críticos de cinema, enquanto privilegiados intelectualmente para saber identificar o que faz de um filme uma obra prima do cinema estão obviamente a criticar. Ainda não vi o filme mas quero ver e sei que não vou ver uma obra prima do cinema, mas também nunca foi esse o motivo que me levou ao cinema ou que me continua a fascinar nas obras clássicas do cinema que me ensinaram a sonhar. A experiência de estar num cinema continua a ser mágica para mim, principalmente quando tenho o prazer de conseguir entrar na tela, de participar na história enquanto observadora ou de sentir empatia com os actores.Mas a minha expectativa em relação ao filme não é grande ou pequena, é uma curiosidade que precisa de ser satisfeita, assim como a curiosidade que sentia em relação aos livros e que me levou a lê-los, todos 3. 
Apesar de ter estudado literatura na universidade nunca me enquadrei naquele conjunto de estudantes de literatura que apreciam os clássicos e vibram com uma escrita glorificada por análises e criticas literárias que pretendem dissecar o autor, a mensagem, as personagens, a narrativa ou o porquê. À semelhança do cinema, o motivo que me fazia consumir livros inteiros por dia eram pelo exclusivo prazer de entrar na estória, de encontrar uma imagem que me fizesse sentir, de me encontrar a mim.
Talvez por isso mesmo as minhas obras favoritas, sejam repletas de imagens e múltiplos sentidos, contos puxam por uma parte de mim que por vezes nem eu percebo muito bem.
Mas também é verdade que leio muitos romances. Romances deste género, de estórias previsíveis, amor eternos com muito sexo à mistura. São os romances cor-de-rosa ou romances eróticos, lidos na sua maioria por mulheres. E este género de literatura, que muitos se recusam a considerar como literatura, é identificado com sendo uma leitura predominantemente feminina mas também como se fosse algo de vergonhoso. Não é atribuído a estas estórias nenhum tipo de valor literário e por isso é questionada a existência e principalmente o sucesso. E eu não pretendo ter uma resposta para isso, porque entendo que existem vários motivos para alguém querer ler um livro, mesmo um livro que os outros considerem que está abaixo do nível deles. Mas talvez o maior motivo seja apenas porque sim, porque apetece, porque é bom sonhar, até mesmo com aventuras românticas e sexuais. E não é esse o principal objectivo dos livros, do cinema, da música...sonhar e sorrir?
Em termos de escrita já li outros livros com mais qualidade, em termos de estória já li outros com um enredo mais interessante e em termos de sexo já li de todos os tipos. Eles todos pegam numa fantasia que todas as pessoas têm em algum momento da vida...encontrar o amor. Com muito prazer à mistura. E porque não? Será que é assim tão ridículo um ser humano querer amar e ser amado, e tirar satisfação física e emocional desse amor? E será assim tão ridículo que essa pessoa possa sentir prazer ao ler uma estória que a faça sonhar com as possíveis e infinitas possibilidades?

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