1.2.15

life

Este é o meu primeiro post desde o que parece uma eternidade. 
Por várias vezes tentei apagar este blog, limitei o acesso, tentei começar novos blogs. Mas o facto de ter começado aqui fez com que me fosse impossível apagá-lo. Ou porque contém uma parte de mim ou porque serve para relembrar parte da minha estória. Nem tudo está aqui, nem tudo poderia estar aqui. O ser humano continua a ser demasiado complexo para uma existência confinada a um simples blog, e eu, feliz ou infelizmente não sou excepção. 
Em termos práticos a minha vida, mudou mais uma vez. Saí de uma aldeia e vim para um cidade, continuo na eterna luta de conseguir trabalhar no que gosto e de conseguir fazer uma vida para mim. Dito assim, leva-me a questionar o que é o resto que nos acompanha. Eu tenho uma vida, com direito a amigos, conversas animadas, pubs e gargalhadas, mas acompanhada continuamente por uma eterna solidão. Não sei se é eterna ou não, mas há muito tempo que a sinto assim. Como uma sombra que não me quer largar. E apesar de precisar dos meus momentos sozinha, espero que chegue o dia em que o sentir só não seja tão constante.
Estou a ouvir Madredeus, que além de me transmitir serenidade, parece ter-me inspirado a voltar a escrever. Talvez seja texto único, talvez não, talvez volte a conseguir contar estórias, talvez me decida sobre o que fazer com o blog. Nunca gostei desta introspecção que sempre caracterizou a minha escrita. Irrita-me e neste momento cansa-me. Existem limites para tudo, até para a tristeza. Mas sobretudo quero atingir um certo grau de paz, que neste momento ainda não consigo. Talvez seja parte da luta constante de um ser humano normal a viver uma vida que nada tem de extraordinário e é por isso mesmo admirável.
A admirável luta do dia-a-dia com todas as tribulações que podem existir num dia inteiro, desde acordar depois de sonhar com o idílico ou com o terror, até fechar os olhos para recomeçar no dia seguinte. Pelo meio, passam dias de trabalho, pessoas que estão presentes na nossa vida naquele momento, troca de palavras, sorrisos, silêncios e viagens. Muitas viagens.
Por vezes penso na quantidade de pessoas com quem nos cruzamos ao longa da vida. Algumas amigas, outras conhecidas, outras apenas uma simples presença num momento nada simples. De todas essas poucas ficam do nosso lado. Poucas nos conhecem realmente. Poucas têm verdadeira importância. E de uma presença constante e de confidência podem passar a uma existência de irrelevante consequência. Não acredito que seja apenas eu a pensar assim. As minhas pessoas não estão comigo, estão demasiado longe e apesar de não me quererem perder, eu sinto-as a percorrer um caminho que já não se vai cruzar com o meu.
De resto, eu escolhi o meu caminho onde quer que ele me leve. Metade da suposta graça de viver é descobrir o que a vida nos reserva sobre as escolhas que fazemos, a outra metade é chegar ao fim de uma caminhada e ter de escolher mais um caminho, através de estrada que sabemos ter um fim, e onde o caminho será tortuoso e alegre, só não sabemos o quanto de cada. Sabemos isso por todas as vidas antes da nossa e pelas teorias religiosas e filosofias que parecem tecer o conhecimento sobre a vida. Mas continuamos sem saber porquê. O porquê das decisões, o porquê do continuar, o porquê de tudo. Mas continuamos. E vivemos vidas, más, boas, extraordinárias, simples. 


1 comentário:

Ana A. disse...

Eu tenho saudades dessa escrita.