14.2.15

Dia de São Valentim


Daqui a um mês farei 34 anos. Lembro-me de quando imaginava como seria a minha vida no futuro. Com 14 anos o futuro parece-nos algo muito distante e quase impossível que atingir, por mais que estiquemos o braço para o agarrar. Nesse altura queremos tudo rápido, queremos crescer para sermos aceites e respeitados. Para os adultos não nos dizerem "És demasiado criança para perceber!" Queremos que as nossas ideias sejam consideradas. Imaginamos futuros concretos: a idade com que iremos ser mães, ter a nossa casa, ter as nossas coisas (ainda que não se saiba muito bem o que são essas coisas). E nem nos apercebemos que na realidade não temos nenhum controle sobre o que nos vai acontecer. Claro que somos sempre responsáveis sobre as nossas escolhas, mas não sobre o nosso futuro, não realmente! 
Eu podia ter feito inúmeras coisas de forma diferente, mas não sei se o resultado me faria mais feliz! No fundo nunca me quis contentar, sempre tive medo do conformismo. Ficar numa relação apenas porque sim, ou porque se tem medo de ficar sozinha, sempre me assustou e nunca me pareceu motivo suficiente para partilhar um futuro com uma pessoa. Antes de tudo era uma romântica e acreditava que o amor era suficiente para uma relação feliz. E apesar de agora aparentar algum cinismo sobre as relações humanas, particularmente amorosas, é apenas uma forma de protecção pessoal. De certa forma ainda acredito na premissa do amor (amar e ser amada na mesma proporção, e por mais impossível que isso parece, eu sei que existe) mas sei que temos de considerar a vida. Ela não facilita, nunca facilitou e não nos permite ficar naquela bolha de sonhos e ilusão que caracteriza o inicio de qualquer relação. O dia-a-dia pode ou não ser bonito, tem cheiros, tem sons, tem texturas e outras pessoas que insistem em existir. E o amor pode continuar a existir , se o conjugarmos com a vida, mas de uma forma mais suave, uma conjunção de vontades e desejos. 
Neste momento amo muito as minhas pessoas. Elas têm todo o meu amor. Mas esse amor de duas pessoas, sobre o qual já se criaram tantas obras de arte, entre letras e sons e imagens, esse por enquanto não o sinto. 
No entanto se considerarmos que com 14 anos já pensávamos saber como iria ser a nossa vida, com 34 já não vou ter essa pretensão mas tenho a certeza que nos próximos 20 anos muita coisa vai acontecer, não fossem 20 anos uma vida de peripécias e aventuras.

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