26.1.13

Amor de consumo obrigatório

Eu tenho um problema.
Eu já encontrei o amor. Aquele amor que nos consome, que nos faz aceitar a outra pessoa, que nos faz ter vertigens e borboletas na barriga de todas as vezes que estamos com a outra pessoa, seja, no primeiro dia, seja após 7 anos. Eu já tive aquele amor que não se explica, que apenas se sente quando num abraço apertado se pensa "Se eu morresse agora, morria feliz" e se sente verdadeiramente a felicidade a invadir o nosso corpo apertado por outro corpo. Outro ser que quando nos olha parece que nos não existe mais nada no mundo e nós vemos o brilho e o sentimento que existe por nós naquela alma que amamos com todo o nosso ser e corpo. As falhas são esquecidas, as imagens imaginadas. Tudo é possível quando vivemos aquele amor que não se explica.
E aqui reside o meu problema. 
Eu tenho 31 anos e já vivi o meu grande amor. Tudo o que se seguiu foram uma série de relações principalmente físicas com um mínimo aceitável de entendimento e diálogo entre duas pessoas que partilham um sentimento uma pela outra. Mas este sentimento não era amor. Talvez atracção, simpatia, empatia até...mas não amor. Eu sei o que é o amor.
Demorei 5 anos para me permitir amar novamente. Como tudo no amor, a mágoa é também ela intensa, e também ela não desaparece com o tempo. Não totalmente. Ainda não consigo afirmar com toda a certeza se algum dia me conseguirei cruzar com o meu amor perdido sem sentir um turbilhão de emoções que claro tentarei manter fechado a sete chaves no canto mais recôndito do meu coração. Mas somos forçados a avançar pela vida. Já não somos as mesmas pessoas que éramos. E acabamos por sermos forçados a reagir às pessoas que se cruzam connosco.
Quando finalmente se encontra uma pessoa que nos consegue abanar as defesas e atrair para o conforto inconstante do sentimento por outrem, o coração acaba por vencer sobre o pensamento e por mais que se tente racionalizar todas as impossibilidades, existem coisas incontroláveis. 
Mas uma vez que já conhecia o amor, já sabia que desta vez não era esse o caso, porque eu resisti o máximo que pude - o amor não te permite resistir nem um bocado - porque eu tive dúvidas - o amor não te dá espaço para dúvidas, é de consumo obrigatório - porque a outra pessoa não me fazia sentir amada - o amor é constituído sempre por duas pessoas que se amam, não há meio termo, existe apenas uma rendição conjunta a algo inevitável - e assim sendo apaixonei-me.
Não chegou a ser amor mas também não foi apenas o resultado de uma carência afectiva e existencial...não da minha parte. 
Mas a minha questão é a seguinte, se eu já encontrei um dia o amor, o que é que me resta?
Existem pessoas que passam uma vida inteira de relações com medo de amarem e com mais medo ainda de serem amadas - porque todos partilhamos aquela ânsia estúpida de corresponder às expectativas de quem amamos - estabelecendo uma relação de amor-ódio com o próprio amor.
No entanto uma vez que eu já o vivi, será que apenas me resta uma série de relações vazias do sentimento principal que as deve sustentar? 
E não, infelizmente o amor não vence tudo, principalmente o medo do consumo do ser pelo próprio sentimento, mas eu ainda acredito que é a única base sobre a qual vale a pena construir uma relação.


2 comentários:

Ana 100 Sentidos disse...

Posso perguntar porque acabou?

Zia disse...

Não sei se o amor alguma vez chegou a acabar, a relação no entanto acabou quando mudei de cidade. Por vezes a intensidade do amor pode causar um medo irracional de o viver. E eu não podia continuar a viver com as incertezas e os medos da outra pessoa. Neste caso acho que o medo acabou por vencer o amor.