23.11.10

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A minha avó materna era o que se podia considerar uma mulher de fibra. Não era carinhosa ou pelo menos não o sabia mostrar. Tinha orgulho da família que liderava enquanto matriarca de pleno direito. Mãe de dois rapazes e duas raparigas, avó de três netas e bisavó de três bisnetos. A palavra dela era lei. Passámos grande parte da minha vida a discutir. Eu era a única pessoa que questionava tudo o que ela dizia ou fazia, não gostava da forma como impunha o que considerava mais correcto e o facto de ser mais velha nunca influenciou o respeito que tinha ou deixava de ter por ela. Faleceu na passada quinta-feira e depois de me ter ocupado com o resto das pessoas, quando finalmente não tinha mais nada com que me preocupar, chorei sozinha no caminho até à igreja para o funeral...lágrimas que vieram de um sitio que ainda agora não consigo identificar, lágrimas que eu nunca acreditei que iriam cair, dado o nosso historial de quezílias e discordâncias. A verdade é que sempre achei que não gostava de mim ou pelo menos não me tinha em grande conta, até hoje apenas tenho uma boa memória...mas parece que cá dentro existia uma certa dose de amor que me fez chorar por ela....e se não for esta a explicação, sinceramente não faço ideia de qual será...

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