5.3.17

Where to now?

E aqui estou eu. A apenas uns dias dos 36 anos. Com um bom trabalho, o meu primeiro espaço, com capacidade financeira para viajar. Tudo o que eu passei a minha vida toda a lutar para conseguir. E consegui! E agora? Qual é a direcção a seguir depois de terminar a luta?

Quando justamente deveria estar a sentir a felicidade da conquista, porque é que sinto antes o desnorte, a rotina enfadonha, e a solidão? Como é que ensino a minha mente a apreciar o agora, sem trabalhar a mil à hora para encontrar outro objectivo tão significativo como este tem sido ao longo da minha vida?

É nestes momentos que penso nestas questões filosóficas como preocupações de quem não tem mais nada para fazer, questões que antes considerava fúteis e vazias de verdadeiro significado, que de repente invadem o pensamento e me impedem de aproveitar os ganhos conseguidos.
Where do i go from here?

Um dia, uma amiga fez-me questionar sobre a minha bucket list, o que é que eu gostaria de ver, fazer, experienciar, viver... Ela tinha uma série de objectivos e sonhos, inspirados pelo seu desejo de viver muito, tudo ou quase tudo. Eu...nem por isso, a minha lista limitava-se a questões mais práticas e muito pouco aventureiras: ter o meu trabalho, a minha casa, que os meus pais tivessem orgulho de mim, viajar...para qualquer sitio, para todos os sitios... ser mãe e ser encontrada.

Estes dois últimos objectivos ainda não aconteceram, e há apenas um que eu poderei, até certo ponto, controlar. O resto não depende de mim. É esta aceitação do incontrolável, do mundo à minha volta e da minha presença nele, que reside a minha dificuldade. A solidão não ajuda. E não falo de uma solidão isolada ou existente por falta de vida social ou de actividades. Falo de uma solidão apenas presente, que nos acompanha até mesmo no meio de uma multidão. Por vezes penso que faz parte de mim, que se instalou em mim, para não mais sair.

22.5.16

De mim

Sinto saudade de mim, da pessoa que eu era em Portugal.
É sabido que apesar da nossa personalidade mais ou menos definida, pessoas diferentes obtêm reacções diferentes da nossa parte. É sabido que reagimos perante a situação e a pessoa ou pessoas. É algo parte do ser.
E eu tenho saudade da pessoa que era antes deste presente. A pessoa que se foi desenvolvendo desde os 18 anos e que foi saíndo da timidez constante para uma segurança que sustentava a capacidade de diálogo sobre qualquer assunto com qualquer pessoa.
Ao longo deste tempo, percebi o verdadeiro significado do "lost in translation" e sinto que um pedaço de mim ficou perdido nesse limbo. O que também me impede de mostrar aquela pessoa que conquistou tanto. Por vezes chego a não gostar desta pessoa submissa, que por se sentir sozinha anseia, por agradar, anseia pelo infimo contacto dos outros e pela compreensão sem ser necessária uma explicação, inerente às amizades que estão demasiado longe.
Tenho medo de me transformar numa pessoa amarga e frustrada e ainda não percebi como gerir esta insatisfação do meu ser. Sinto-me a regredir em vez de evoluir.
Talvez o voltar a escrever seja uma forma de me encontrar novamente...talvez.

Future?

Desde pequena que sempre quis ser mãe. Por volta dos 10 anos disse à minha mãe que sempre me consegui ver mãe mas que nessa imagem estava sempre sozinha. O desejo era tão grande que um dos meus maiores receios era a impossibilidade de engravidar e insisti com a minha mãe que queria ao médico para verificar se não tinha nenhum problema.
Hoje falei pela primeira vez com os meus pais sobre a possibilidade de engravidar por inseminação artificial.  Sim, tenho medo. E ainda não sei o que vou fazer, mas sei que sem o apoio deles, dificilmente seria capaz de considerar a possibilidade de ter um filho. Mesmo longe, os meus pais continuam a ser as pessoas mais importantes da minha vida e a opinião deles bastante definitiva. Talvez por isso a minha mãe me tenha respondido que não me iria dar a opinião dela em relação ao que eu deveria fazer porque tem de ser uma decisão apenas minha. A reacção foi melhor do que eu esperava. De certa forma eles pareciam estar à espera e se por um lado sei que me irão apoiar na decisão, por outro lado sei que a minha mãe principalmente sente algum receio por mim, por saber que é uma decisão complicada e por tudo o que essa decisão pode implicar e principalmente por fazer isto num país que não é o meu e onde apenas posso contar comigo. 

21.5.16

Lemonade

Estou a assistir ao Lemonade, a mais recente obra de Beyonce. O impacto é objecto e ao mesmo tempo parece envolver todos os sentimentos presentes no coração de uma mulher seja em diferentes etapas da vida, seja em momentos que nos assombram enquanto mulheres. O tributo à força da mulher africana é sem dúvida a maior constante desta obra, dominada pela beleza da mulher e e pela capacidade de avançar sobre a vida com a determinação necessária e o carinho indispensável.
É impossível não gostar e é impossível não sentir.

24.4.16

times past

Neste momento o tempo avança sem mesmo que eu me aperceba. os dias vão passando e por vezes apreciamos certos momentos ,  noutros vamos avançando tão naturalmente como respiramos, algo natural e que já nem reparamos. neste momento, o passado são memórias distantes mas boas, que criaram uma nostalgia de sentimentos e experiências que tememos não voltar a ter. O amor, o riso, a leveza que existiram numa infância adulta. “E agora?”, esta é a pergunta que me tem assombrado a mente. Até podia ser algo bom, quando de repente sentimos que podemos fazer tudo, mas ao mesmo tempo todas essas possibilidades do mundo tornam-se um peso assombroso que ameaça soterrar-nos de ideias e desejos por concretizar. De repente o mundo sufoca-nos e o sentimento de implosão é iminente. O sentir que finalmente conseguimos algo significativo na vida, que deveria fazer toda a diferença, mas faz e não faz, porque nos faz questionar “e agora?”. Ter sonhos e atingi-los é algo que nos parece idílico, até que nos deparamos com a falta deles, de algo significativo que nos faz avançar que nos leva a ultrapassar questões, dúvidas e obstáculos tão maiores do que a multiplicidade de opções com que nos deparamos mas que não têm a mesma magnitude, que aquele objectivo que nos definiu durante grande parte da vida, sempre teve. “E agora?”… o vazio associado a esta questão precisa ser preenchido com algo igualmente relevante, porque a loucura espreita por detrás da questão associada ao pensamento seguinte: “mas afinal o que faço aqui?” e todos os pensamentos similares que se seguem. São possivelmente questões de uma mente vazia de preocupações práticas e que se enche do ser filosófico da vida e que estão perto da loucura a que a falta de resposta pode conduzir.